O Salto do Corpo
Zona de Conforto
O chão conhecido tem o desenho exato do meu pé,
lá não tropeço, não vacilo, sei bem como é.
Mas a vida murcha quando o espaço é miúdo,
e a alma inventa de querer provar de tudo.
Espiei a fresta, forcei a fechadura,
ensaiei o passo em direção à aventura.
Mas a linha da fronteira é um choque invisível,
que faz o corpo tremer, tornando o medo palpável.
O peito acelera, a gravidade se perde no ar,
o labirinto do ouvido desaprende a equilibrar.
É o corpo em pane, gritando perigo,
implorando o retorno pro casulo antigo.
Na vertigem do novo, o reflexo é covarde:
pular para trás antes que o peito arde.
A gente sabota a chance, a estrada, o momento,
só para acalmar esse maldito tormento.
Mas o equilíbrio só volta se a gente insistir,
deixando a tontura do mundo assentar por aqui.
O susto da carne é só o limite mudando de lugar,
pois quem não aceita o mistério , nunca aprende a voar.
Amarilis Pazini Aires