O Eco do Silêncio
Onde havia conversa, agora há um vácuo,
uma pergunta suspensa no ar.
A amizade, que parecia um pacto,
desfez-se sem aviso, sem explicar.
Não houve briga, nem porta fechada,
apenas os passos que o tempo apagou.
A distância repousa na calçada
de quem, sem um adeus, caminhou.
Dói mais o sumiço que a despedida,
pois o porque vira um nó no peito.
Fica a memória viva, mas esquecida,
procurando abrigo em algum canto imperfeito.
É o luto de alguém que ainda respira,
a busca por respostas que não virão.
O amigo partiu, a engrenagem gira,
e o silêncio assume a direção.
Amarilis Pazini Aires
Fotoamarilisaires