O Voo e a Raiz
A casa ficou maior, o silêncio mais pesado,
O eco de dois risos que partiram para longe.
Dói o peito, dói o tempo, dói o abraço guardado,
E a saudade é um mar que nenhum mapa esconde.
Minhas meninas voaram, ganharam o mundo e o vento,
Filha que fiz abrigo, neta que fiz doçura.
Ficou um vazio imenso detendo o meu pensamento,
Uma linha invisível que costura a distância pura.
Mas quem planta raiz forte não teme a linha do horizonte,
O amor que nos une não se apaga na milha.
Sou o cais, sou o início, sou a eterna fonte,
Que abençoa o caminho da neta e da filha.
Chove no rosto o cansaço desse adeus que mal começou,
Mas no peito há uma prece, um farol sempre aceso:
Não importa a distância para onde o vento as levou,
O colo de mãe e avó nunca perde o seu peso.
Amarilis Pazini Aires
06/07/26