Um sonho inacabado
Deixei-o pela metade, na curva do sono,
onde a casa ainda não tinha telhado
e teu nome ainda não tinha dono.
Ficou o café morno sobre a mesa,
a porta entreaberta para o jardim,
e aquela frase que eu nunca digo, presa.
Às vezes volto lá quando anoitece,
não para terminar — já não precisa —
mas para lembrar quem eu era
quando ainda acreditava que tudo começava.
Amarilis Pazini Aires
Fotoamarilisaires