A revolução do tempo e a idade
O tempo não passa, ele se revolta,
não anda em linha, gira em espiral.
Desfaz calendários com a mesma revolta
que inventa o futuro num gesto banal.
A idade não pesa, ela escava,
não é número, é casa que habitei.
Cada ruga é um mapa onde eu ficava,
cada silêncio, um eu que reinventei.
E no fim entendo: não me venceu,
não somos inimigos, eu e o tempo.
Ele me levou o que nunca foi meu,
e me deixou inteira, no contratempo.
Amarilis Pazini Aires
Fotoamarilisaires