Entre as Ruínas e o Recomeço
O chão da sala parece mais distante,
O silêncio pesa mais que a discussão.
O amor, que antes era mar radiante,
Hoje é cansaço e hesitação.
Perdem-se os olhares na rotina,
As palavras viram farpas no ar,
Mas no fundo dessa névoa fina,
Ainda há algo tentando ficar.
Talvez não seja a hora do fim,
Mas de desarmar a tempestade,
Cuidar do que sobrou no jardim
E escutar a própria verdade.
Não se cura o que está ferido
Gritando por cima da dor.
Às vezes, o passo mais destemido
É dar uma pausa ao amor.
Amarilis Pazini Aires