Você Ainda é Eu!
Nas mãos enrugadas que seguram as minhas,
Procuro as pegadas das linhas passadas,
Do tempo em que a casa sorria sem prensa
E a tua presença guiava minhas manhãs.
Teu olhar hoje vaga por salas vazias,
Confunde meu nome, esquece o café.
Mas guardo na mente tua antiga poesia,
A força materna, a luz da tua fé.
Ajeito o teu manto, te pego no colo,
Inverto os papéis sem jamais hesitar.
Se a tua memória desfez o seu solo,
Eu sou o teu porto para descansar.
Lembro das cantigas, do aroma da casa,
Do ninho acolhedor que você me teceu.
Se o tempo apagou cada rastro da asa,
Ainda sou tua filha, e você ainda é eu.
Mesmo que o mundo se esvazie em esquecimento,
Neste abraço demorado tudo volta a viver:
Eu lembro por nós duas a cada momento,
E continuo te amando sem você nem saber.
Amarilis Pazini Aires
Fotoandreaaires